Opiniões, Idéias e Viagens Mentais
   AO MESMO PONTO...

         A onda do protesto está em alta. Tudo o que não concordamos, vamos protestar. Ainda mais agora que temos nosso BBB particular, nosso amigo facebook, onde nos tornamos seres magnânimos, verdadeiros semi-deuses da razão e civilidade. Pena que não é bem assim no chão duro, né?

         Baixando um pouco o volume dos gritos “fora essa e aquele”, baixando o barulho das panelas bem cuidadas pelas empregadas, mas empunhadas com volúpia pelas patroas, podemos desvendar um pouco desse chão, dessa base, que move a maioria dos nossos problemas sociais.

         Na verdade, política, futebol, novela, mídia, entretenimento, estão interligados por uma matéria que une todos esses fatores num mesmo recipiente: nós mesmos, o povo...

         Não se explica os problemas éticos da política brasileira sem desconsiderar nosso comportamento, nossa forma de enxergar, por exemplo, futebol. Por exemplo, novela, por exemplo, músicas enlatadas e descartáveis. Estas questões estão no mesmo lugar, saem da mesma semente, e germinam as besteiras coletivas que hoje perturbam, ao menos os meus ouvidos...

         Esqueça toda a corrupção que envolve a cartolagem do nosso amado futebol. Prenda-se ao campo. Veja Rivaldo forjando uma bolada no rosto, resultando na expulsão do zagueiro da Turquia. Veja a dor insuportável de nossos bravos atletas ao serem atingidos pelos cruéis adversários, sendo imediatamente curados com a aplicação do cartão ao adversário. Somos assim, achamos isso normal, convivemos com isso.

         Vá ao supermercado, veja a quantidade de carrinhos abandonados pelos usuários, recolhidos dioturnamente pelos auxiliares... Veja a guerra pelos lugares, a cara de pau dos não-deficientes que se utilizam das vagas não destinadas a eles. Somos assim, achamos isso normal, convivemos e colaboramos com isso...

         Veja a quantidade de pseudo-músicas que recebemos diariamente pela indústria fonográfica, cada dia mais descartável, inundando de milionários temporários as capas de revistas e horários nobres em nossos programas dominicais, recheados de grandes figuras humanas... Critique a baixíssima qualidade, e receba toneladas de críticas, por não aceitar as músicas do povo... Somos assim, achamos isso normal, convivemos e colaboramos com isso...

         Com toda a crítica, BBB´s e novelas, fórmulas idênticas, continuam sustentando as grandes redes televisivas e adjacências, com a mesma volumosa receita gerada pela audiência e participação popular... Somos assim, achamos isso normal, convivemos e colaboramos com isso...

         E resolvemos agora, que, numa gama mínima de milhares de pessoas que elegemos a todos os cargos públicos existentes no país, devemos mesmo é tirar uma única dessas pessoas, possivelmente responsável por toda a desgraça vivida pela nação... E tudo ficará lindo... O povo vai aprender a ser honesto, ético, apenas se uma pessoa sair... afff... Dá desânimo...

         É claro que a alternância do poder é saudável, concordo plenamente. Mas a oposição deve se fazer confiar, para poder ocupar a maioria da vontade popular nas URNAS, senão não vai por graça divina, meu povo...

         Deixo clara minha concordância absoluta com o Gregório dia desses: odeio o PT, odeio a Dilma, odeio o Lula, realmente. Mas principalmente porque se disseram diferentes e não o eram. Mas cair no joguinho da moda de gastar meu tempo precioso e raro para embarcar numa idéia ingênua e inoperante, isso eu não irei, meu tempo e meu cérebro valem bem mais que isso.

         E quando eu notar que as ATITUDES das pessoas está mudando um pouco, quando eu vir que começamos a entender nosso papel, nossa culpa na situação atual, nossa colaboração e importância para mudar tudo isso, lá estarei, na rua, gritando, com Cauê nos ombros, porque é pra ele que eu quero esse país bem melhor, esse mundo bem melhor...

         Mas com os carrinhos de supermercado espalhados no estacionamento, com linxamento de seres humanos, com separatismo disfarçado (nem tanto), nada farei, a não ser viver e temer pelo futuro...

 

         Marcos Claudino, 46 anos, profissional de Recursos Humanos, vivendo um caso de amor com o filho, com a esposa, com a família, lutando pra não perder a capacidade de pensar com justiça... Não sabe se está conseguindo...



Escrito por Marcoscl_SP às 16h34
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